O principal índice da B3 operou praticamente estável nesta sexta-feira (16), alternando pequenas altas e baixas enquanto o mercado assimilava as últimas pesquisas para o segundo turno e indicadores econômicos domésticos. Por volta das 14h50 o Ibovespa marcava 204.588,88 pontos, alta de 0,13%. No câmbio, o dólar caía 0,41% frente ao real, cotado a R$ 5,0753, sinalizando um ambiente de maior apetite a risco no curto prazo.

Em Brasília e entre estrategistas, o resultado do IBC‑Br para agosto reforçou a percepção de desaquecimento da atividade. O indicador avançou 0,30% na série com ajuste sazonal sobre julho e 1,2% na comparação anual, número que ficou alinhado às projeções do mercado. A leitura sustentou a ideia de que a trajetória da taxa básica de juros pode afrouxar mais à frente, alimentando apostas por reduções da Selic se a desaceleração se confirmar.

No exterior, a pressão sobre o dólar ocorreu após sinais de autoridades do Fed de que não há necessidade imediata de novos apertos, o que ajudou a estabilizar os rendimentos dos Treasuries. A semana foi marcada por volatilidade — com índices americanos sentindo o choque de dados de inflação acima do esperado —, mas, nas últimas sessões, a correção reduziu a força do dólar e contribuiu para um ambiente menos adverso para ativos emergentes.

As pesquisas eleitorais também ganharam peso no pregão. Levantamento do MDA encomendado pela CNT mostrou uma disputa tecnicamente empatada — 46,8% para Flávio Bolsonaro e 45,9% para Luiz Inácio Lula da Silva, com margem de erro de 2,2 pontos. Uma pesquisa Datafolha divulgada à noite trouxe 51% x 49% em votos válidos a favor de Bolsonaro. Para investidores, a proximidade nas intenções amplia a incerteza sobre políticas futuras e possíveis impactos fiscais.

Setores reagiram de forma desigual. A valorização do petróleo Brent sustentou alta nas ações da Petrobras, enquanto empresas ligadas a tecnologia e semicondutores continuaram sob pressão depois da onda de vendas global que atingiu o segmento de inteligência artificial. Em Wall Street, S&P 500 e Nasdaq operaram em baixa, ao passo que Europa e Ásia exibiram performance mais resistente diante de resultados corporativos positivos e rotação setorial.

Na prática, a combinação entre um PIB curto, sinais menos agressivos do Fed e pesquisa eleitoral apertada significa maior sensibilidade do mercado a cada dado novo. Para quem investe, isso pode traduzir-se em oscilações mais frequentes em renda variável e movimentos no câmbio; para tomadores de crédito, a expectativa por cortes na Selic é um aspecto a monitorar. Com o segundo turno agendado para 25 de outubro, a agenda eleitoral seguirá sendo um dos principais vetores de ruído nos próximos pregões.