A seleção brasileira saiu de campo com um empate que tem mais perguntas do que respostas: 1 a 1 contra a Austrália, nesta sexta-feira em Townsville. O gol australiano saiu aos 22 minutos do segundo tempo, quando Irankunda cobrou falta e contou com uma falha do goleiro Hugo Souza. Só nos acréscimos — aos 49 minutos — Rayan, ex-Vasco, subiu de cabeça para igualar, após escanteio cobrado por Raphinha, evitando derrota nos instantes finais.

O desempenho coletivo, porém, foi o que mais incomodou. O time produziu muito pouco em termos ofensivos ao longo dos 90 minutos; nem mesmo depois de seis substituições promovidas pelo técnico Carlo Ancelotti a equipe criou chances claras. No primeiro tempo houve um lance que animou: Estêvão finalizou após recuperação no último minuto, mas o VAR anulou por falta de Bruno Guimarães em Souttar na origem da jogada. Fora isso, raros momentos de criatividade e finalizações sem direção.

O amistoso integra a Data Fifa usada pela comissão técnica para observar alternativas visando a Copa América de 2028 e a Copa do Mundo de 2030. O calendário imediato é curto: na terça-feira, 29 de setembro, às 7h (horário local do compromisso informado), o Brasil volta a enfrentar a Austrália no Suncorp Stadium, em Brisbane. E, em 3 de outubro, às 11h de Brasília, a seleção fará sua primeira partida oficial contra a Índia, em Calcutá. Para a comissão técnica, são partidas de teste com efeito direto sobre convocações futuras.

A partida expõe um dilema típico desses jogos de preparação: liberdade para testar, mas custo reputacional em caso de desempenho fraco. Ancelotti usou substituições para mexer no time e ampliar o leque de avaliados, porém a pouca criação coletiva aponta para necessidade de ajustes táticos e de entrosamento. A falha individual no gol adversário e a incapacidade do grupo de reagir com chances claras reforçam debate sobre quem tem lugar garantido no projeto que mira grandes competições.

Hugo Souza, chamado para disputar vaga no gol, foi protagonista involuntário: a cobrança de falta que virou gol da Austrália detonou a corrente do jogo e colocou pressão sobre o time. Do outro lado, Raphinha apareceu como o responsável direto pelo alívio ao cobrar o escanteio que originou o empate de Rayan. Ainda que amistosos sirvam para experimentação, erros em pontos sensíveis — cobrança de bolas paradas, cobertura defensiva — revelam fragilidades que a comissão técnica não pode ignorar.

Próximo capítulo: a seleção tem menos de uma semana para corrigir o que não funcionou em Townsville. O reencontro com os australianos em Brisbane será mais do que uma repetição de calendário; será uma oportunidade prática para medir correções táticas, definir opções no ataque e reenquadrar a disputa por posição no gol. Para torcedores e analistas, o importante é observar se as alterações produzirão futebol mais consistente — ou se o empate será pista de problemas mais profundos na formação do time.