O governo federal informou que abriu 120 Termos Circunstanciados de Ocorrência para apurar possíveis condutas criminosas relacionadas aos incêndios que atingem o Amazonas. Em coletiva em Manaus, o ministro do Meio Ambiente afirmou que os focos têm origem humana e prometeu uma investigação ampla para descobrir quem opera os incêndios e se existe uma ação coordenada por trás dos eventos. A declaração reforça a intenção de responsabilizar autores com sanções administrativas e penais.
A apuração reúne esforços da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Civil do Amazonas, com participação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e de outras forças de segurança. A presença da Abin indica que as autoridades estão dispostas a verificar se o padrão se assemelha ao chamado “Dia do Fogo” de 2024, quando foram registrados mais de dois mil focos simultâneos em estados como São Paulo e Pará, e a hipótese de organização passou a integrar o escopo das investigações.
Enquanto a investigação avança, o governo já mobilizou meios operacionais: 11 aeronaves foram enviadas ao Amazonas, sendo seis empregadas diretamente no combate com descarga de água, além de um avião KC-390 para lançamentos em grande volume, três helicópteros para apoio e uma Caravan para logística. Há 290 brigadistas em campo e mais 40 em deslocamento. Segundo o ministério, 292 incêndios já foram extintos e oito permanecem ativos, segundo os últimos balanços oficiais.
O impacto sobre populações urbanas tem sido imediato. Grandes nuvens de fumaça levaram municípios a suspender atividades; em Manaus houve paralisação das aulas na rede municipal, em unidades da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e no campus da zona leste do Instituto Federal. Além do desconforto e do risco à saúde, a redução de serviços e a necessidade de mobilização de equipes e equipamentos impõem custos públicos e transtornos econômicos locais.
A legislação prevê punições administrativas — multas entre R$ 5 mil e R$ 10 mil por hectare ou fração, embargo de áreas e apreensão de equipamentos — e responsabilização criminal que pode levar à prisão dos autores. Para autoridades, a investigação busca justamente evitar sensação de impunidade e gerar efeitos dissuasivos. A combinação de medidas administrativas, ações judiciais e operação policial será determinante para transformar procedimentos em responsabilizações efetivas.
Entre as medidas imediatas, o governo intensificou o monitoramento e realizou sobrevoos para mapear focos em áreas de difícil acesso — ministros chegaram a sobrevoar o estado no domingo. O ministério diz já perceber redução nos incêndios mais próximos à capital, mas ressalta que a melhora da qualidade do ar depende da direção dos ventos e da extinção dos focos remanescentes. A expectativa dos órgãos é que as apurações dos 120 TCOs e a atuação integrada indiquem, nas próximas semanas, se haverá denúncias e processos contra grupos apontados como organizadores.