Derrotado novamente na disputa pelo governo da Bahia, ACM Neto anunciou apoio formal a Flávio Bolsonaro no segundo turno, num movimento costurado por João Roma. A articulação ocorre após derrotas eleitorais regionais: Neto somou 3,6 milhões de votos no estado — quarto maior eleitorado do país — enquanto Flávio obteve 2,4 milhões. O gesto transfere para o campo nacional uma batalha que vinha sendo travada nas urnas estaduais.
Auxiliares do candidato do PL ao Planalto passaram a apontar o ex-prefeito de Salvador como nome provável para chefiar o Ministério do Desenvolvimento Regional caso Flávio vença a eleição. A indicação, ainda não oficializada, é tratada por aliados como uma recompensa política com efeito simbólico e prático: transferir capital político do universo baiano para o novo governo e consolidar uma base de apoio em região estratégica.
A pasta em questão ganhou visibilidade no governo anterior quando ficou sob comando de Rogério Marinho, que ampliou o uso das chamadas emendas RP-9. Esse mecanismo acabou associado ao chamado 'orçamento secreto' por concentrar decisões do destino de recursos em relatorias e acordos políticos fechados fora do crivo público, um ponto que volta à tona quando se discute a eventual nomeação de um aliado regional.
Do ponto de vista eleitoral, a aposta do PL é clara: transformar o apoio formalizado em votos adicionais na Bahia. A expectativa interna é de crescimento da votação de Flávio no estado a partir da sinalização de Neto. A costura também passou por João Roma, que, mesmo derrotado na corrida ao Senado — superado por candidaturas do PT como as de Rui Costa e Jaques Wagner — segue atuando como ponte entre grupos locais e a campanha nacional.
No campo da governança, a hipótese de nomear um político ligado à Bahia para uma pasta com poder de distribuição de obras e recursos levanta dois tipos de perguntas práticas: quais critérios técnicos regeriam a alocação de investimentos e como será garantida transparência sobre prioridades e resultados? A lembrança do uso intensivo de emendas RP-9 torna previsível que observadores e adversários questionem qualquer indicação que pareça vinculada à transferência de votos.
Para eleitores e para quem acompanha as contas públicas, o desfecho importa de forma palpável: se a sinalização se confirmar, a Bahia poderá receber atenção federal reforçada e o PL consolidaria apoio regional; se Flávio não vencer, a aliança terá custo político sem retorno no Executivo. Por ora, o apoio de Neto está selado, a articulação ficou pública e a expectativa por nomes e consequências segue dependente dos resultados do segundo turno.