Em ato de campanha promovido no dia 16 de setembro de 2026 na Praça Sete, em Belo Horizonte, o candidato a deputado federal Dário Ricardo Braga de Moura, conhecido como Dário 4e20 (PSol), levou consigo uma planta de cannabis que foi apreendida pela Polícia Militar. O episódio voltou os holofotes para a principal bandeira do candidato: a mudança na legislação sobre cultivo e uso da planta no Brasil.

Dário é identificado publicamente como ativista da causa canábica e tem na regulamentação da maconha o ponto central de sua plataforma eleitoral em Minas Gerais. No evento ele buscou dialogar com transeuntes sobre usos medicinais e recreativos, acompanhado por equipe que incluía um advogado e por um paciente que, segundo a campanha, era proprietário da planta apresentada.

Durante a ação, a defesa do candidato apresentou um habeas corpus preventivo na tentativa de garantir o porte da planta, mas a Polícia Militar realizou a apreensão com base nas normas vigentes. O episódio realça o choque entre iniciativas de visibilidade política e o enquadramento legal atual, ao mesmo tempo em que reacende discussões sobre diferenciar usuários e traficantes na legislação.

Entre as propostas públicas de Dário estão a legalização do cultivo doméstico de até seis plantas por pessoa para uso pessoal e a inclusão de medicamentos à base de canabinoides, como o canabidiol (CBD), na lista de remédios distribuídos pelo Sistema Único de Saúde. O nome político '4e20' faz referência ao código 420, assimilado por movimentos canábicos como símbolo cultural ligado ao consumo e à reivindicação por mudanças legais.

A apreensão na Praça Sete pode provocar reações em vários planos: fortalecer a exposição do tema na campanha, estimular debates legislativos sobre cultivo e acesso a tratamentos, e gerar ações judiciais para testar limites do ordenamento jurídico atual. Também há possibilidade de que o episódio pressione partidos e candidatos a explicitar suas posições sobre drogas, saúde pública e segurança.

O caso deve continuar a ser acompanhado por movimentos sociais, pela militância canábica e por órgãos de segurança, assim como pelos eleitores que acompanharão propostas legislativas relacionadas ao tema. Em caráter prático, a disputa nos tribunais e nas urnas irá definir se propostas como cultivo doméstico e distribuição de canabidiol via SUS avançam do debate público para medidas legislativas ou normativas.