Rodrigo Delmasso, ex-deputado e candidato ao retorno à Câmara Legislativa do Distrito Federal, colocou no centro da sua campanha uma proposta clara: eliminar o prazo que hoje limita a isenção do IPVA para veículos elétricos e híbridos. O benefício vigente tende a expirar em dezembro de 2027, e Delmasso defende que a renúncia fiscal vire medida permanente. "Uma coisa que eu defendo é retirar esse prazo. É deixar para sempre, deixar livre, até para fomentar a aquisição desses tipos de veículos", afirmou em entrevista.

A isenção para carros com motorização elétrica ou híbrida nasceu de um conjunto de propostas legislativas das quais Delmasso foi autor de uma versão. Em pouco tempo, o tema deixou de ser novidade técnica e passou a integrar debates sobre incentivos ao consumo, meio ambiente e custo para os cofres públicos. Preservar a vantagem tributária significa manter um estímulo à compra, mas também abre a discussão sobre renúncia fiscal e prioridades orçamentárias em um território onde despesas concorrentes pressionam o gasto público.

Uma coisa que eu defendo é retirar esse prazo. É deixar para sempre, deixar livre, até para fomentar a aquisição desses tipos de veículos

Além de propor a manutenção do benefício, o candidato voltou a apontar um problema prático que, segundo ele, reduz o efeito do incentivo: a insuficiência de pontos de recarga. Delmasso diz que não basta tornar o carro mais barato no papel se o motorista não encontra onde recarregá‑lo. "Eu não vim aqui defender carro elétrico na arquibancada: eu assinei a emenda que garantiu a isenção de IPVA do elétrico e do híbrido aqui no Distrito Federal, e defendo ela desde então. Quem tem esse carro economiza por causa disso. Cuidar do meio ambiente não é falar do amanhã, é proteger hoje o ar que nossas crianças respiram no DF", disse o político.

A proposta apresentada nas entrevistas combina três frentes: manter a isenção tributária, ampliar a rede de eletropostos e criar políticas de formação profissional para atendimento de veículos elétricos. Esse tripé tenta antecipar um problema recorrente em políticas de incentivo: a adoção de tecnologia cresce, mas a infraestrutura e a cadeia de serviços ficam para trás. No DF, o crescimento da frota eletrificada desde 2020 mudou o terreno do debate, que agora passa mais pela logística do que apenas pela concessão fiscal.

Politicamente, a promessa soma agenda ambiental a um gancho eleitoral. Delmasso, filiado ao Republicanos e com experiência na vice-presidência da CLDF, diz que levará a proposta ao plenário se reconquistar uma cadeira, mas ainda não apresentou detalhes sobre o custo ou a origem dos recursos para expandir a rede de recarga. Em Brasília a decisão dependerá de votação na Câmara Legislativa; qualquer mudança que torne a isenção permanente terá de passar pela análise de impacto fiscal e pelo escrutínio dos demais parlamentares.

Eu não vim aqui defender carro elétrico na arquibancada: eu assinei a emenda que garantiu a isenção de IPVA do elétrico e do híbrido aqui no Distrito Federal, e defendo ela desde então. Quem tem esse carro economiza por causa disso. Cuidar do meio ambiente não é falar do amanhã, é proteger hoje o ar que nossas crianças respiram no DF

Na prática, a transformação da isenção em medida permanente interessa diretamente a quem já tem ou pensa em comprar um elétrico ou híbrido: manter o IPVA zero reduz custo de propriedade e pode acelerar a adoção. Mas a eficácia da política pública depende da combinação com infraestrutura: sem eletropostos suficientes, a vantagem fiscal tem alcance limitado. O prazo atual que vigora até dezembro de 2027 é a referência que vai orientar o calendário político nos próximos meses; cabe acompanhar como a CLDF e o Executivo local vão tratar a proposta e quem arcará com a expansão da rede de recarga.