O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, formalizou inscrição para participar presencialmente da audiência pública do Office of the United States Trade Representative (USTR) em Washington, prevista para 6 de julho, e pediu autorização para falar em inglês. A sessão discutirá medidas comerciais propostas pelos EUA; o prazo de inscrições encerrou-se em 22 de junho, segundo documentos relacionados ao procedimento.

A investigação aberta pelos EUA examina possíveis barreiras e práticas comerciais brasileiras em seis frentes, entre elas serviços de pagamentos eletrônicos (como o Pix), desmatamento ilegal, comércio digital e propriedade intelectual. Pesquisa pública do USTR avalia se políticas nacionais teriam impacto discriminatório. Caso a apuração avance, Washington estuda a aplicação de uma tarifa de 25% sobre determinados produtos originários do Brasil.

No material enviado às autoridades americanas e consultado pela reportagem, o senador contestou a eficácia da sanção, afirmando que uma tarifa desse porte acabaria penalizando exportadores, consumidores e até forças políticas internas. Ele manifestou oposição a medidas que toquem o sistema de pagamentos e defendeu que a solução passe por negociações diretas, com agenda e prazo definidos, em vez de punições automáticas.

O governo federal respondeu que, desde a abertura da investigação em 15 de julho de 2025, tem atuado para defender os interesses nacionais e que apresentou duas manifestações escritas ao USTR, em 18 de agosto e 10 de setembro de 2025. A gestão também informou ter realizado consultas com autoridades norte-americanas em Washington nos dias 15 e 16 de abril deste ano, e disse manter interlocução com o setor privado para apoiar participação de empresas na audiência.

A audiência pública de 6 de julho será uma oportunidade formal para empresas, associações e indivíduos apresentarem evidências sobre os efeitos da medida proposta. O período de consultas públicas segue aberto até 1º de julho, e o governo brasileiro não descartou apresentar nova manifestação escrita nesse intervalo. Se a investigação progredir para a aplicação efetiva da tarifa, empresas exportadoras e cadeias produtivas estarão diretamente expostas a aumento de custos.

O episódio ganha contorno político por ocorrer em ano eleitoral, com um pré-candidato inscrito para falar em um espaço internacional que pode afetar setores produtivos e consumidores. A sequência inclui eventuais novas contribuições escritas, depoimentos na audiência e, dependendo do resultado técnico do USTR, decisões sobre medidas compensatórias ou tarifárias. O processo seguirá com transparência nos canais do órgão americano e nas respostas oficiais do governo brasileiro.