Depois de abrir vantagem no primeiro turno, o candidato do PL evita confirmar cortes em benefícios e em salários, mas sua equipe econômica já discute um pacote de ajuste que promete mexer em renúncias fiscais, emendas e no próprio arcabouço que rege as contas públicas. Consultores ouvidos pela campanha defendem agir rapidamente após uma eventual vitória, na tentativa de dar sinal de responsabilidade fiscal e controlar o ritmo de crescimento da dívida.
Entre as alternativas em análise está a revisão das renúncias fiscais — benefícios tributários que hoje reduzem receitas — com impacto estimado, segundo auxiliares, entre R$ 50 bilhões e R$ 100 bilhões. A ideia é priorizar mudanças que tragam economia sem provocar embates imediatos com o Congresso, para não comprometer a governabilidade logo no início do mandato, ao mesmo tempo em que se busca credibilidade junto a investidores e agências.
Outra frente sensível é a das emendas parlamentares, que somam cerca de R$ 60 bilhões no orçamento projetado para 2026. Técnicos da campanha estudam mecanismos para redirecionar parte desses recursos ao alívio das despesas previdenciárias, mas reconhecem o risco político: mexer nas emendas pode gerar reação de deputados e senadores que dependem desses instrumentos para articulação e bases eleitorais.
No plano institucional, circula a proposta de uma PEC para alterar o arcabouço fiscal vigente. O texto em discussão pretende fixar regras mais claras para criação de novas despesas e estabelecer mecanismos de responsabilização em caso de descumprimento de metas. A mudança exige negociação parlamentar e pode provocar discussões jurídicas sobre limites constitucionais das regras fiscais que valem hoje.
Os nomes cotados para compor a equipe econômica, incluindo o sócio da QMS Capital Marcelo Kayath, têm defendido que um ajuste equivalente a 1,5% do PIB seja feito de forma gradual, para reduzir impacto sobre a atividade. Há também conversas sobre uma reforma administrativa para reorganizar a máquina federal, mas os detalhes e o momento da reforma ainda dependem do resultado do segundo turno e da cálculo político dos custos eleitorais.
O timing importa: a campanha fala em afinar um pacote para ser adotado logo após a posse, se houver vitória em 25 de outubro. Na prática, a execução dependerá de como a nova gestão negociará com o Legislativo, do formato final da PEC e da capacidade de implementar mudanças nas emendas e nas renúncias sem paralisar serviços públicos. Acompanhe os sinais que podem antecipar o rumo das contas: propostas formais ao Congresso, estimativas de economia detalhada e reações do mercado.