Logo após a confirmação dos resultados do primeiro turno, com 99,99% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro (PL) falou à imprensa e colocou na agenda do segundo turno um discurso de ruptura institucional: disse que vai “resgatar a democracia” e prometeu mudanças na estrutura do governo. O senador terminou a votação em primeiro lugar, com 56.103.542 votos (47,03%), contra 53.874.921 votos (45,16%) do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a disputa seguirá em 25 de outubro.
Na coletiva, o candidato listou propostas concretas de governo: reduzir o número de ministérios, adotar um perfil de administração que chamou de “mais moderno” e indicar ao menos quatro ministros para o Supremo Tribunal Federal. Usou a ocasião para criticar a gestão atual e disse pretender conduzir uma campanha com menos agressividade nas próximas semanas. A promessa de várias nomeações para o STF é um dos pontos que mais chama atenção pelo efeito direto sobre o Judiciário.
Estou feliz com a possibilidade real de, daqui a três semanas, o Brasil dar uma resposta definitiva de que quer um governo moderno, com menos ministérios, que vai resgatar a democracia e que vai indicar pelo menos quatro ministros para o Supremo Tribunal Federal
A indicação de quatro ministros, se ocorrer, implicaria mudança significativa na composição do STF ao longo de um único mandato — impacto que depende, no entanto, de vacâncias que podem surgir durante o governo. A proposta de extinguir a reeleição presidencial, por sua vez, exige emenda constitucional aprovada pelo Congresso; não é uma medida decidida por decreto. Ambos os objetivos dependem de articulação legislativa e de prazos que não foram detalhados pelo candidato.
Flávio também disse que pretende combater o que chamou de gastos excessivos do governo atual e acusou o presidente de buscar apenas manutenção de poder, em crítica direta ao rival. Na entrevista afirmou: “Eu sou o único candidato que assumiu o compromisso pelo fim da reeleição porque eu preciso só de um mandato para colocar o brasileiro e brasileira no centro do meu governo...”. A ênfase em corte de estrutura e foco fiscal será parte central do discurso do PL até o segundo turno.
O resultado apertado — diferença de 2.228.621 votos entre os dois primeiros colocados — deixa o segundo turno em disputa acirrada e transforma pequenas decisões de campanha em fatores relevantes para eleitores indecisos. Além dos dois principais, quedas de votos dividiram o restante: Augusto Cury teve 2,89%, Renan Santos 2,24%, Ronaldo Caiado 2,18% e Romeu Zema 0,27%. A dinâmica do voto útil e as negociações com partidos menores terão peso nas próximas três semanas.
Eu sou o único candidato que assumiu o compromisso pelo fim da reeleição porque eu preciso só de um mandato para colocar o brasileiro e brasileira no centro do meu governo para que eu possa atacar e acabar com os problemas reais do Brasil
O que muda para o país depende agora de combinatórias políticas: aprovação de emenda para acabar com a reeleição, eventuais mudanças no número e nas atribuições dos ministérios e o calendário das nomeações ao STF se houver vagas. Entre os pontos práticos a observar até 25 de outubro estão as propostas detalhadas de redução de gastos, o plano para implementar um mandato único e a capacidade de articulação do candidato no Congresso — pontos que vão determinar se as promessas se traduzem em medidas viáveis.