O candidato ao governo de Minas Gerais Gabriel Azevedo (MDB) propôs a criação de um Fundo Ferroviário Estadual com capacidade estimada de arrecadar cerca de R$ 1,2 bilhão por ano para bancar a implantação de 15 ramais ferroviários. A proposta prevê destinar 20% da parcela estadual da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) ao fundo, como base de recursos para iniciar projetos que ampliem a malha de trilhos no estado.
Além dos recursos provenientes da CFEM, o plano indica outras fontes potenciais de financiamento, entre elas outorgas ferroviárias, verbas federais, instrumentos de financiamento climático e aporte da iniciativa privada. O candidato reconhece que a execução das 15 linhas não cabe em um único mandato: a proposta foca em estruturar projetos, delimitar custos e lançar obras iniciais que possam ser tocadas ou concluídas por gestões posteriores.
Na justificativa técnica, o plano aponta que Minas concentra uma parcela expressiva da malha ferroviária nacional, mas que uma pequena fatia da carga estadual segue por trilhos. Para o candidato, ampliar a participação do modal ferroviário reduziria custos logísticos para produtores e transportadores, além de aliviar o tráfego de caminhões nas rodovias, com impactos potenciais sobre segurança viária e manutenção da malha rodoviária estadual.
A proposta traz à tona a discussão sobre destinação de receitas vinculadas: a CFEM é um instrumento já pago pelo setor mineral e a ideia de reservar parte desses recursos para infraestrutura ferroviária pode alterar prioridades orçamentárias estaduais. Especialistas e gestores públicos costumam avaliar a compatibilidade de vetores de financiamento com regras orçamentárias, e a criação de um fundo exigiria mecanismo jurídico e governança clara para manter projetos além do ciclo eleitoral.
Entre os desdobramentos plausíveis estão negociações com o Congresso estadual, ajustes na lei orçamentária e articulações para atrair parceiros privados e recursos federais ou internacionais. Na prática, o sucesso do programa dependerá da capacidade de transformar estudos em projetos bancáveis, de sequenciar obras por prioridade econômica e logística, e de garantir que os aportes previstos na origem do fundo se mantenham ao longo do tempo sem comprometer outras políticas públicas essenciais.
O candidato afirmou que apresentará detalhes sobre o financiamento de cada ramal e sobre o que pode ser entregue em quatro anos por meio de uma série de vídeos explicativos durante a campanha. Para o eleitor, a iniciativa coloca no centro do debate propostas de infraestrutura de longo prazo e levanta questões sobre como recursos públicos e parcerias privadas podem ser organizados para ampliar o transporte por trilhos em Minas Gerais.