Seis dos sete candidatos ao governo de Minas Gerais publicaram assinatura na carta-compromisso contra o trabalho escravo organizada pela Conatrae: Cleitinho Azevedo (Republicanos), Patrus Ananias (PT), Alexandre Kalil (PDT), Mateus Simões (PSD), Túlio Lopes (PCB) e Gabriel Azevedo (MDB). O candidato do PL, Flávio Roscoe, não aderiu. A questão ganha peso porque Minas lidera a chamada “lista suja” do trabalho escravo no país — um problema com impactos diretos sobre a fiscalização, a economia rural e direitos humanos.

A carta é fruto da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo, criada em formato de articulação entre estado e sociedade desde 2003. A Conatrae recolhe compromissos de candidatos desde 2006 e afirma que o documento serve para organizar e monitorar políticas públicas no combate ao crime. Em 2024 a iniciativa ampliou convites a disputas estaduais em locais considerados originadores ou com muitos resgates de trabalhadores entre 2003 e 2025.

O texto que os candidatos assinaram reúne medidas concretas: proibir promoção de empresas com histórico de exploração análoga à escravidão ou de trabalho infantil; apoiar setores que combatam a prática; implantar atendimento jurídico e social a trabalhadores migrantes; e adotar programas específicos de assistência psicossocial, educação e reinserção econômica para pessoas resgatadas. A carta também prevê exoneração de servidores que se beneficiem desse tipo de mão de obra. A Conatrae divulgou as assinaturas em plataformas públicas, incluindo a página da campanha no Instagram.

Os números ajudam a explicar a urgência. Desde 1995, mais de 70 mil trabalhadores foram resgatados em atividades que vão da pecuária e agricultura à extração mineral, passando por construção civil, oficinas de costura, trabalho doméstico e exploração sexual. Para o eleitor, a assinatura não é apenas gesto simbólico: o governador define prioridades e pode direcionar ações de governo que facilitem ou dificultem inspeções do trabalho, articulação com a justiça e a oferta de serviços a vítimas.

A campanha nacional também recebeu adesões e recusas. Entre os presidenciáveis, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) se comprometeram; outros, como Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), foram convidados mas não responderam até o prazo estabelecido pela Conatrae. A comissão diz manter o documento aberto para novas assinaturas caso candidatos queiram aderir depois da data-limite.

A pesquisa de compromissos da Conatrae serve tanto para medir intenção quanto para cobrar resultados. A própria comissão atribui ao instrumento a origem de planos e normas estaduais e federais, segundo seu levantamento, o que transforma adesões em ponto de partida para acompanhamento público. Em Minas, onde a incidência é alta, cabe aos eleitores e à sociedade fiscalizar se a prioridade prometida pelos signatários se traduzirá em medidas efetivas; a assessoria do candidato do PL chegou a ser procurada por veículo local e havia informado que aguardava retorno.