A pesquisa PoderData/Aya divulgada nesta sexta-feira coloca a disputa presidencial em situação de total equilíbrio: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) aparecem com 50% dos votos válidos cada um, a nove dias do segundo turno marcado para 25 de outubro. O levantamento ouviu 3.000 eleitores entre 13 e 15 de outubro, tem margem de erro de 1,8 ponto percentual e está registrado no TSE (BR-04258/2026).
Os números resumem um movimento rápido: Flávio chegou a ter vantagem de seis pontos em 8 de outubro, caiu para dois pontos dias depois e agora vê essa liderança zerada. No primeiro turno, o senador também liderou (47,03% ante 45,16% de Lula), o que evidencia volatilidade e um eleitorado sensível a eventos de campanha. Com a margem de erro de 1,8 p.p., especialistas e campanhas tratam o resultado como empate técnico.
A recuperação de Lula nas últimas pesquisas coincide com atos de rua e mobilização digital impulsionados por artistas e parlamentares jovens, além de medidas com impacto direto no dia a dia, enumeradas pelo material-base: a aprovação da redução da escala de trabalho (passagem de 6x1 para 5x2) e a promessa de oferecer ônibus urbanos gratuitos aos finais de semana se reeleito. Essas iniciativas parecem mirar a ganhar votos e comparecimento às urnas.
Do lado do PL, a coordenação de Flávio dedicou a primeira semana do segundo turno a costurar apoios em gabinetes e reuniões políticas; a campanha anunciou intensificação da presença nas ruas, com ato previsto na avenida Paulista no domingo 18 de outubro. A pesquisa mostra ainda um componente psicológico relevante: 51% dos entrevistados acreditam que Flávio vencerá, contra 42% que apostam em Lula — percepção que pode influenciar comportamentos de voto e mobilização.
O desempenho por segmentos mostra contrastes que deverão guiar as estratégias: Lula mantém vantagem entre as mulheres (55% a 39%), enquanto Flávio lidera no Sul (57%) e no Centro-Oeste (54%). A taxa de rejeição continua alta para ambos: 46% dos eleitores declaram rejeição total a Lula e 45% a Flávio; 44% dizem que Lula é a única opção. Além disso, a avaliação pessoal do presidente registra 47% de desaprovação e 46% de aprovação, o que limita margem de crescimento.
Com nove dias até a votação, a disputa passa a depender de dois vetores concretos: conversão de indecisos e capacidade de cada campanha de transformar intenção em comparecimento. O levantamento, feito por telefone em 644 municípios de todas as 27 unidades da Federação, sinaliza que pequenas variações de mobilização ou notícias de última hora podem redefinir a contagem dentro da margem de erro. Os eleitores devem acompanhar a agenda de rua das campanhas e os próximos levantamentos que vão medir se o empate se mantém.