O presidente do Partido Missão, Renan Santos, reagiu com dureza a empresários que passaram a pressioná‑lo por um apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno. Ao comentar informação de que o senador Bolsonaro votará a favor do fim da escala 6×1, Renan disse a interlocutores: “Que eles reclamem com o Flávio”. O ex‑candidato, que terminou a disputa presidencial em quarto lugar com 2,6 milhões de votos, deixou claro que não pretende assumir papel de ponte entre empresários e o PL.

A fala foi acompanhada de palavras duras contra o setor privado. Segundo a coluna que noticiou o episódio, Renan afirmou: “O empresário brasileiro que se vire com o Flávio. Não será problema meu. O empresário brasileiro é burro, imediatista, estúpido. Que se resolva com o Flávio.” Ele ainda avaliou que a proposta de nova jornada, na visão dele, “não vai dar certo”, mas ressaltou que isso não o obriga a defender a medida nem a arcar com suas consequências políticas.

Que eles reclamem com o Flávio

O tema central é a votação, prevista para a quarta‑feira, 14, que decide em caráter definitivo o fim da escala 6×1. O debate tem impacto direto em regras de trabalho e organização de turnos, e virou também peça de barganha política: empresários que apoiaram Renan durante a campanha agora buscam seu aval para migrar ao palanque de Bolsonaro. A reação do líder de Missão expõe um conflito clássico entre interesses setoriais e posicionamentos eleitorais pós‑resultado.

Do ponto de vista político, a troca de farpas evidencia duas frentes. Uma é o desgaste na relação entre candidatos outsider e o grande empresariado quando expectativas não se concretizam; outra é a tentativa de transferir responsabilidades sobre políticas controversas, como mudanças em jornadas de trabalho, para quem assumirá a decisão no Congresso. O episódio pode reduzir a margem de manobra de Renan como articulador no segundo turno, já que preferiu descolar seu nome das consequências práticas do tema.

No cenário institucional, a declaração também joga luz sobre quem ficará com o ônus político caso a mudança avance. Se o Senado aprovar o fim da 6×1 com o voto de membros do PL, serão esses parlamentares—e não o presidente do Missão—que responderão por eventuais efeitos sobre empregados e empresas. Renan repetiu que não deseja ser chamado a pagar esse custo político: sua posição pública foi de distanciamento explícito, ainda que a matéria seja justamente de interesse do setor que agora o procura.

O empresário brasileiro que se vire com o Flávio. Não será problema meu. O empresário brasileiro é burro, imediatista, estúpido. Que se resolva com o Flávio.

A poucos dias da votação, a questão sai do gabinete e entra na disputa eleitoral: a decisão no Senado pode acontecer antes do segundo turno e terá consequências concretas para trabalhadores e empregadores. A declaração de Renan Santos deixa claro que, nesse momento, ele não pretende ser o interlocutor que amenize a conta para o empresariado que o apoiou — e sinaliza que o embate sobre a 6×1 seguirá centrado no Congresso e nos candidatos que de fato votarem pela mudança.